Novena de Natal: Cartões de Natal

 

natal

 

A troca de cartões de Natal, segundo dizem, tornou-se uma tradição, nascida na Itália. Em 1709, Niccolò Monte Mellini, conde de Perugia enviou aos amigos e parentes pequenos cartões com estampas e breves sonetos de felicitações. Parece que gostaram muito da ideia, que começou a ser copiada e logo se espalhou. Um século depois, em 1800 ganhou fins comerciais, com gráficas também italianas produzindo os cartões ilustrados. O século XX com toda sua tecnologia deu então o lugar definitivo aos cartões natalinos, hoje em todos os formatos que a comunicação nos permite ter.


Nós, que fazemos este site acontecer, resolvemos fazer nossa “Novena de Tradições e Contos de Natal”, como nosso grande cartão. Acreditamos que, expressando nosso afeto, podemos contribuir por um mundo de mais tolerância, justiça, união e PAZ. Esperamos que aproveitem e participem também, enviando-nos mais textos ou imagens. Amanhã, dia 25 a novena chega ao seu último dia, mas desejamos uma Noite Feliz para todos. Uma noite repleta de Amor e de Luz – presentes ‘presentes’, que o tempo e o espaço não levam, mas que trazem felicidade aos que carregam.


Boas festas!


Abaixo, mais um conto de Natal, dessa vez, autoral.

 

A, B, C, D ...

 

“A fé continua viva nos corações dos homens”, disse o padre para si mesmo, quando viu a igreja repleta. Eram trabalhadores do bairro mais pobre do Rio de Janeiro, que se reuniam naquela noite com um único objetivo: A Missa de Natal.


Ficou contente. Com toda solenidade, dirigiu-se para o centro do altar. Foi quando escutou uma voz dizendo:


- a, b, c, d...


Parecia ser uma criança – e estava atrapalhando a solenidade do ato. As pessoas olharam para trás, incomodadas. Mas a voz continuava a dizer:


- a, b, c, d ...


- Pare com isto – disse o padre.


O garoto pareceu acordar de um transe. Olhou assustado para as pessoas ao redor, e seu rosto ficou vermelho de vergonha.


- O que você está fazendo? Não vê que atrapalha nossa reza?


O menino abaixou a cabeça, e lágrimas rolaram de seus olhos.


- Onde está sua mãe? – insistiu o padre – Ela não lhe ensinou a acompanhar uma missa?


Com a cabeça baixa, o garoto respondeu:


- Desculpe, padre, mas não aprendi a rezar. Fui criado na rua, sem pai e sem mãe. Hoje é o dia de Natal, e eu precisava conversar com Deus. Como não conheço a língua que Ele entende, estou dizendo as letras que conheço. Pensei que, lá de cima, Ele pudesse pegar essas letras e usá-las para criar palavras e frases que lhe agradassem.


O menino levantou-se.


- Vou embora – disse – Não quero atrapalhar as pessoas que sabem comunicar-se tão bem com Deus.
- Venha comigo – respondeu o padre.


Pegou o menino pela mão e levou-o até o altar. Com os olhos fechados, começou a recitar o alfabeto.


E, em poucos momentos, ele, o garoto e a igreja inteira diziam:


- a, b, c, d ...

 

(Paulo Coelho – Livro: “CONTOS PARA UM NATAL BRASILEIRO” – Edt: Relume-Dumará; IBASE – 1996)


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